terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nem todo mundo entende o Caos, uma entrevista com Zefirina Bomba


" No começo, a gente tinha só umas 7 músicas, que juntas não duravam
uns 15 minutos, era o caos, a microfonía absurda, alguns shows tinham
10 minutos de duração e eu quebrava a viola. Recebemos uns toques,
controlamos melhor a microfonia, e o som foi ficando mais acessível.
Nem todo mundo entende o caos, e eu sinto falta dele".

Zefirina Bomba, é uma banda legitimamente Nordestina, com nome de
lavadeira, que distribui seus reclames pelo Brasil desde 2004 e que pode
ser avaliada como retrato fíel da cena alternativa brasileira. Hardcore noise
de primeira linha, com sotaque carregado, sem frescuras, uma banda de
quatro pessoas que se apresenta no palco como um explosivo power trio.

Durante uma turnê pelo nordeste, eles gastaram algumas linhas com o
Guitarra Ácida, pra falar sobre o Hardcore Brasileiro, o espaço na mídia
e o que vem por aí.

G.A: Vocês estão em turnê pelo Nordeste agora, não é? Quais são suas impressões?

Z.B: Aqui o trampo é bem simplão mesmo, tocamos em lugares bem pequenos, com
som de ensaio, gosto muito desses esquemas, mas é ruim pelo lance,
que é muito zoado, principalmente pra trazer bandas de fora.

G.A: Em seis anos de estrada, tocando em lugares como os que vocês já
tocaram, qual é a avaliação da estrutura das bandas que tocam hardcore
no Brasil?

Z.B: Sei que pelo sul, uma galera se organizou melhor, e pode oferecer
umas condições melhores, tipo o Cidadão do Mundo, no ABC, mas a gente
sempre viaja de carro pra diminuir os custos, e sempre se dá bem. A gente
trampa quase sempre com as mesmas pessoas que nos dão hospedagem, fazem
o rango, não é muito diferente do que o Black Flag fazia nos anos 80.


G.A: E qual é a visão do espaço que a mídia dá pra vocês, quer dizer,
eu vejo que passa um clipe ou outro na MTV de vez em quando,
mas a mídia em geral, torce o bico pra bandas distorcidas?

Z.B: Nunca esperamos nada, de um veículo dito [formal] de comunicação,
até porque eles escolhem o que põem no ar, mas nunca deixamos de mandar
as informações, gostamos muito na verdade dos Zine.

G.A: Também gosto, corre por fora e bate de frente, não tão de frente,
mas faz uns estragos.

Z.B: Mas é mais livre, e mais descomprometido, fizemos uma parada com o
Aviso Final, numa casa que ia ser demolida, e a MTV foi lá sabe? Agente não
exclui ninguém, mas não fica esperando que façam.

G.A: E sendo uma banda Pernambucana, como é sobreviver ao impacto
da capital cultural, os moldes paulistas, a receptação e o envio de informação,
como é nadar contra isso? Não desanima em certo ponto?

Z.B: Cara, a metrópole é muito seletiva em relação a tudo, qualquer disfunção
é escanteada, isso é cultural. Vejo preconceito com o nome da banda,
mas era isso que queriamos, o lance de que a minoria deveria ser igual a melhoria

G.A: E terminando, quais são os planos da Zefirina Bomba?

Z.B: Tocar onde tiver uma tomada, cerveja gelada e gente pra trocar uma idéia, é isso.


E assim, Ilsom, Guga e Martim, continuam por aí, espalhando seu:
NOISECOREGROOVECOCOENVENENADO, levantando poeira
das estradas desse país, tocando pelo prazer de tocar, lutando
contra o sistema e suas variantes. Subvertendo o insubvertível.

Zefirina Bomba é o Caos, e nem todo mundo entende o Caos.


Não conhece Zefirina Bomba?




Myspace

Um comentário:

  1. gostei muito da entrevista.
    a banda é boa também.
    vcs são bons cara !
    la negra

    ResponderExcluir