A banda paulistana Ecos Falsos, vem se destacando há algum tempo no cenário alternativo Brasileiro.Recentemente um integrante da banda foi "demitido" após perder a disputa em
uma batalha de bandas. Tirando isso, a banda acaba de produzir um EP, com a ajuda d fãs que puderam opinar e até decidir quais as músicas que entrariam no encarte.
Clipes em rede nacional, uma extensa lista de admiradores famosos e uma participação ativa nos meios de comunicação digitais marcam as principais caracteristicas da banda.
A entrevista feita no final do ano passado, pode ser conferida aí em baixo, junto com alguns links
onde mais informações sobre a banda podem ser encontradas.
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G.Á - Vocês já estiveram tocando por várias partes do Brasil,até fizeram uma turnê no Acre, como é a receptividade do público fora de São Paulo?
E.F : Pra nós tem sido boa, na verdade nem tem tanta diferença assim, tirando a numérica. Nosso "nicho", digamos assim, é o de pessoas que gostam de música independente, que procuram novidades na internet, assistem à MTV com senso crítico e tal... E essas pessoas são bem parecidas, no Brasil todo.
G.Á: - E sobre a discussão "O acre não existe", que rolou quando vocês estiveram lá, os caras ficaram realmente putos ou foi só intriga da oposição?
E.F : Alguns desocupados se mobilizaram e tal, mas acho que "indignado" de verdade ninguém ficou, era só despeito de metaleiros que ficaram de fora do festival. No fim das contas o clima foi super tranqüilo lá.
G.Á: - O disco " Descartável longa vida " foi lançado em 2007 pela " Monstro Discos " , e traz no encarte participações de Fernanda Takai,Tom Zé e Sérgio Serra.O Tom Zé é praticamente o padrinho da banda,como é gravar com nomes de tamanha importância, levando em consideração que vocês são uma banda relativamente nova ?
E.F : Foi um orgulho tremendo,como é de se imaginar,e serviu também para mostrar que a distância entre os artistas independentes (os três citados podem ser incluídos nessa categoria, hoje) diminuiu muito,existindo afinidade musical e boa vontade, dá pra fazer praticamente qualquer coisa. E o mais legal foi que foram participações, no caso do Tom Zé e da Fernanda Takai,em que os vocalistas cantaram as nossas músicas,não foi uma cover nem uma "participação coadjuvante".Então você ouvir vozes das quais você é fã dizendo as palavras que você escreveu,já valeu todo o esforço até aqui. E o caso do Serginho foi também ótimo,ele que pediu pra tocar essa música "Isso me Cansa" em um show,ficou tão bom que só levamos ele para o estúdio e gravamos trocentos solos de guitarra,hahahah.
G.Á: - O som de vocês é realmente " Indie -metal cabeção"como vocês classificam no myspace ?
E.F: Ah, acho que é, até porque nem faz muito sentido a classificação. Nós temos um problema diferente das outras bandas: a gente QUER ser rotulado, mas ninguém acha um rótulo que grude, hahaha. É barulhento demais pra ser pop, tem letra demais pra ser punk, é muito esculachado pra ser indie cabeça... Então vamos tentando! "Pós-Boyband" a gente também atende.
G.Á: - O fato de a banda tocar com três guitarras e revezar o contrabaixo,além de é claro,tornar o som mais barulhento,é o toque de mestre da Ecos Falsos?
E.F: Na verdade, a gente só tocou com três guitarras até 2006, quando a banda tinha cinco integrantes. Com a saída do Thiago (baixista, o cara do clipe de "Réveillon") nós passamos a ser um quarteto com duas guitarras, e revezamos no baixo. Digamos que nós tivemos dois "toques de mestre", em fases diferentes, heheh
G.Á: - Você acha que dizer que o Brasil não tem bandas novas boas,é pré-conceito ou é saudosismo?
E.F: Com certeza. Na verdade, com a facilidade de acesso que você tem hoje em dia, afirmar uma coisa dessas é simplesmente passar um atestado de preguiça intelectual.Se um cara vem com um argumento desses - tipo o Rick Bonadio fez, haha -, não dá nem pra discutir.O que há de problema,na verdade,é que são poucos os canais para "filtrar" toda música que é acessível hoje.Esse papel era das revistas de música,da MTV, das rádios,mas elas obviamente não estão dando conta disso,salvo poucas exceções.
G.Á: - Depois de ter seis livros infantis publicados e ter visitado a NASA, é muito difícil largar a vida de menino gênio para dedicar-se ao Roquenrou ?
E.F : Hahaha, não é difícil não, na verdade a vida de "menino gênio" é que te larga a partir do momento em que você faz 15 anos e não é mais criança. A partir dos 13, 14 eu comecei a tocar guitarra, e daí não teve jeito.Ainda pretendo continuar a escrever, estou inclusive começando um blog agora (http://missingpunchline.wordpress.com/).
G.Á: - O "Clipe de "Revellion" foi indicado ao VMB em 2006, em 2008 vocês lançaram o clipe de " Nada não " e agora a ultima versão de " Bolero Matador", como é o processo criativo na hora de fazer os clipes? Afinal os três são muito bem feitos.
E.F: O processo criativo dos clipes é parecido com o das músicas, mas com mais etapas, obviamente: um de nós tem a idéia, outro vai expandindo, alguém formata um roteiro, outro vai atrás da arte... E assim vai, trabalho conjunto. A gente tem sorte de ter pessoas com talentos diferentes que dão conta do processo quase todo. E, na medida do possível, queremos continuar assim em tudo que nos diz respeito.
O clipe pode ser visto em:
(http://www.ecosfalsos.com.br/boleromatador).
G.Á: - O CD está disponível quase por inteiro para que os fãns possam baixar no site, vocês acreditam que a internet possa ser a maior aliada das bandas independentes ou a banda é partidária ao "Metálica"?
E.F : Até eles se renderam, né?,Não tem jeito. Pra uma banda que está começando, então, não tem nem o que discutir, você é muito mais ouvido se estiver disponível na internet, e é isso que você quer no começo, ser ouvido no meio da multidão. Antes mesmo do CD sair já tinha muita gente em Manaus que viu na MTV e foi atrás, você tem que estar lá, disponível, senão o cara perde o interesse tão rápido quanto ganhou.
G.Á: - Algumas letras trazem certo tom de protesto disfarçado em ironia, é algo natural ou é feito propositalmente?
E.F : Bem, é uma coisa consciente, mas nosso jeito natural é esse. Deu pra entender? Eu que faço a maioria das letras, e acredito que você pode e deve falar sobre coisas que dizem respeito à sociedade em que você vive, mas não precisa ser doutrinador ou achar que está com a razão. Se você grita palavras de ordem contra a ordem estabelecida, está apenas querendo trocar uma coisa pela outra; com a ironia, você pode passar uma mensagem muito mais subversiva. Quando alguém ri, é como se percebesse uma rachadura no sistema, como se ficasse claro que tudo que é certo é meio cômico, porque pode ser virado do avesso sem muito esforço.
G.Á: - Existe alguma pretensão de tocar fora do país, ou de um CD novo?
E.F : Não podemos falar muitos detalhes sobre isso ainda.
O lançamento do disco novo ta previsto pra final de 2009.
www.youtube.com/ecosfalsosTV
www.f
www.myspace.com/escosfalsos
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